
Em Julho de 2025, a Prefeitura abriu um processo interno de seleção para a Secretaria Municipal da Saúde (SMS), destinado a servidoras/es municipais interessados em atuar na área. O processo foi amplamente divulgado, as/os candidatas/os participaram das etapas previstas e os resultados chegaram a ser divulgados.
No entanto, quando as/os aprovadas/os já eram conhecidas/os, a seleção foi simplesmente interrompida. Isso em agosto de 2025.
As justificativas apresentadas à época foram tão frágeis quanto contraditórias. A Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS) sustentou que não seria justo perder profissionais qualificadas/os para a Saúde. Já a SMS alegou apenas que o processo poderia ser interrompido a qualquer momento.
Mas a realidade dos fatos expõe uma pergunta que até hoje permanece sem resposta: se o problema era a saída de servidoras/es da Assistência Social, por que posteriormente diversas relotações para outras secretarias foram autorizadas?
Levantamentos realizados pelas/os trabalhadoras/es apontam pelo menos nove movimentações para órgãos como SMAP, SMIDH, DMLU e a própria SMS, sem a realização de processo seletivo semelhante. Em alguns casos, inclusive, sem permuta entre servidoras/es.
Afinal, quais são os critérios adotados pela Administração? Eles valem para todas/os ou apenas para algumas e alguns?
Outra questão chama atenção. Embora o processo seletivo da saúde estivesse aberto a todas/os as/os municipária/os, a grande maioria das/os candidatas/os era formada por Assistentes Sociais e Psicólogas/os oriundos da extinta FASC, hoje vinculados à SMAS.
E por quê?
Essa é uma pergunta que a gestão municipal deveria ter a coragem de responder.
Será porque existe equiparação salarial entre as diferentes áreas da Prefeitura? Será porque as condições de trabalho oferecidas na Assistência Social são tão valorizadas quanto aquelas encontradas em outras políticas públicas? Será porque as/os profissionais da Assistência Social se sentem reconhecidas/os, respeitadas/os e incluídas/os nos processos de valorização do funcionalismo?
Ou será justamente o contrário?
A busca massiva por oportunidades fora da Assistência Social revela um profundo mal-estar que a Administração insiste em ignorar. Revela o desgaste de trabalhadoras/es que atuam diariamente na linha de frente do atendimento à população mais vulnerável da cidade e que, muitas vezes, enfrentam sobrecarga, falta de estrutura, escassez de pessoal e invisibilidade institucional.
Não deixa de ser simbólico que as/os trabalhadoras/es da Assistência Social sejam tratadas/os com a mesma invisibilidade historicamente imposta à população que atendem.
Quando essas/es servidoras/es buscaram uma oportunidade legítima por meio de um processo formal, transparente e aberto, tiveram seu direito frustrado por uma decisão política. Quando outras/os servidoras/es foram relotados posteriormente por caminhos administrativos distintos, nenhuma barreira semelhante parece ter existido.
Isso não é apenas incoerência administrativa. É um tratamento desigual que exige explicações.
As/Os municipária/os têm direito à transparência. Têm direito à igualdade de oportunidades. Têm direito a saber por que um processo foi interrompido depois de concluído e por que outros movimentos funcionais seguiram acontecendo normalmente.
O silêncio da Administração diante dessas perguntas apenas reforça a percepção de que houve uma escolha política: impedir que trabalhadoras/es da Assistência Social deixassem uma estrutura que há anos convive com falta de valorização e condições insuficientes de trabalho.
O Sindicato das/os Municipárias/os exige explicações públicas, transparência sobre os critérios adotados nas relotações e respeito às/aos trabalhadoras/es que dedicam suas carreiras ao serviço público e ao atendimento da população.
Não aceitaremos que a Assistência Social continue sendo tratada como um espaço de onde não se pode sair, mas que tampouco recebe os investimentos e a valorização necessários para que suas/seus profissionais queiram permanecer.
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