
A direção do SIMPA se reuniu ontem com a direção do Hospital de Pronto Socorro (HPS) para cobrar respostas e providências diante de uma série de problemas que vêm afetando diretamente os servidores e as condições de trabalho no Hospital. A reunião foi marcada por cobranças sobre a sobrecarga de trabalho, a falta de pessoal, a situação da enfermagem, a suspensão das LPs, a realização de horas extras após afastamentos por saúde, os remanejos internos e a convocação de servidores concursados. Também foram tratadas situações funcionais específicas de servidores, incluindo os casos de duas trabalhadoras, que tiveram suas situações individuais levadas pelo Sindicato à direção do Hospital.
O SIMPA foi firme na defesa dos trabalhadores e cobrou explicações da direção do HPS sobre situações que vêm sendo denunciadas pela categoria. O Sindicato levou para a mesa os relatos recebidos dos servidores e exigiu respostas e providências diante de problemas que não podem ser tratados simplesmente como situações isoladas.
O ciclo de adoecimento no HPS: a desvalorização e o desmonte da carreira fazem com que os trabalhadores recorram às horas extras para complementar a renda e garantir condições mínimas de vida. Ao mesmo tempo, a falta de pessoal faz com que as horas extras sejam necessárias para manter os serviços funcionando. O resultado é mais sobrecarga para quem está trabalhando, o que aumenta o adoecimento e os afastamentos. Com menos servidores disponíveis, a sobrecarga se agrava e a própria gestão passa a ter dificuldade para garantir direitos como as LPs. E assim, a falta de pessoal alimenta a sobrecarga, a sobrecarga alimenta o adoecimento e o adoecimento aprofunda ainda mais a falta de trabalhadores. Esse ciclo precisa ser rompido com contratação, valorização e melhores condições de trabalho.
Um dos principais pontos cobrados pelo SIMPA foi a suspensão das horas extras após o retorno de afastamentos por saúde, prática conhecida entre os trabalhadores como “gancho”. O Sindicato já havia encaminhado ofício à Secretaria Municipal de Saúde questionando essa prática e recebeu despacho da Secretária Adjunta de Saúde informando que desconhecia a existência desse procedimento na SMS.
Na reunião, o SIMPA questionou a direção do HPS sobre a continuidade da prática mesmo após o posicionamento formal da Secretaria. A direção do Hospital reconheceu a existência do procedimento e afirmou que ele está amparado em regimento interno de 2013. Segundo a direção, o tema já foi tratado com a Secretaria Municipal de Saúde, que deverá estabelecer novas orientações e organizar uma normativa que reúna regras e diretrizes para a questão.
Diante disso, a direção do HPS informou que não pretende se manifestar de forma definitiva sobre o tema até que a Secretaria Municipal de Saúde estabeleça as novas orientações. O SIMPA seguirá acompanhando a questão e cobrando que qualquer mudança seja discutida de forma transparente e que os direitos dos trabalhadores sejam respeitados.
Outro ponto de cobrança foi a suspensão das LPs em razão da falta de pessoal. Mesmo com a restrição à concessão das LPs, os remanejos internos entre setores continuam acontecendo, muitas vezes sem que haja, segundo os relatos recebidos pelo Sindicato, necessidade efetiva para isso. O SIMPA questionou essa lógica e cobrou que a falta de pessoal não recaia novamente sobre os trabalhadores, seja pela restrição de direitos, seja pela sobrecarga de quem permanece nos setores.
Sobre a reposição do quadro, a direção do HPS informou que existe previsão de chamamento de novos servidores concursados ao final da vigência da carta-contrato da Operação Inverno. Para o SIMPA, a recomposição do quadro é fundamental para enfrentar a sobrecarga e garantir melhores condições de trabalho e atendimento à população.
Também foram discutidas situações funcionais específicas de servidores, reafirmando o papel do Sindicato na defesa da categoria tanto nas questões coletivas quanto diante de situações individuais que precisam de encaminhamento e resposta da gestão.
A reunião também tratou de situações relacionadas à enfermagem e da necessidade de manter canais permanentes de diálogo entre o Sindicato e a direção do HPS. Manter um canal de diálogo aberto e respeitoso é também papel e obrigação de uma gestão que se reivindica democrática.
O SIMPA e a ASHPS não vão aceitar que a falta de pessoal e a desvalorização da carreira sejam jogadas nas costas dos trabalhadores. A categoria não pode continuar pagando com adoecimento e sobrecarga pela falta de servidores e pela ausência de medidas efetivas para recompor e valorizar o quadro do Hospital.
Diante da gravidade das situações apresentadas, o SIMPA e a ASHPS irão oficiar amanhã o Secretário Municipal de Saúde e a Secretária Adjunta de Saúde, solicitando reunião urgente para cobrar medidas concretas para enfrentar os problemas decorrentes da falta de pessoal, da sobrecarga de trabalho e da desvalorização dos servidores.
O Sindicato seguirá cobrando, fiscalizando e defendendo os trabalhadores do HPS.
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