
O SIMPA alerta a sociedade de Porto Alegre para as graves consequências do avanço das terceirizações, privatizações e parcerias com a iniciativa privada na Saúde Pública. O episódio mais recente é a sinalização da Rede de Saúde Divina Providência e da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre de um possível rompimento do contrato com a Prefeitura, sob a alegação de “desequilíbrio financeiro” na gestão da Atenção Primária.
Mais uma vez, contratos milionários colocam a população em risco de ficar sem atendimento básico. Atualmente, a Rede Divina Providência é responsável pelo atendimento em 38 Unidades Básicas de Saúde (UBS), além da gestão do Hospital Independência. Já a Santa Casa é responsável por 30 UBS e duas Clínicas da Saúde da Família. Conforme a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026, está prevista a destinação de repasse conjunto de dezenas de milhões de reais a essas instituições no orçamento da saúde da capital — dentro de um orçamento total de R$ 13,6 bilhões para o município em 2026.
Hoje, cerca de 96% da Atenção Primária de Porto Alegre é gerida por entidades privadas, contrariando o previsto na Lei Federal nº 8.080 que rege o SUS, o que evidencia que o modelo de terceirização — barrado em grande parte do Brasil após resistências populares e profissionais da saúde — foi adotado pelo governo municipal e transformou a saúde em negócio. Sempre que os lucros são ameaçados, as empresas pressionam o poder público por mais recursos ou, simplesmente, ameaçam abandonar o serviço.
Para o SIMPA, essa lógica comprova que saúde não pode ser tratada como mercadoria nem como negócio. O direito à saúde exige planejamento público, investimento público, servidores concursados e gestão direta do SUS, conforme determina a Lei Federal nº 8.080.
Além de comprometer seriamente o atendimento à população, a terceirização aprofunda a precarização das relações de trabalho. Na gestão terceirizada, a população fica mais uma vez à mercê da própria sorte e, para trabalhadores e trabalhadoras, o resultado é o desemprego recorrente toda vez que contratos são encerrados de forma abrupta, sem qualquer garantia de continuidade ou proteção social.
Enquanto a Prefeitura transfere recursos públicos para contratos privados, a rede municipal enfrenta grave falta de profissionais. Dados do Portal da Transparência indicam 297 vagas abertas para técnicos e técnicas de enfermagem, além de 16 aprovados em concurso ainda não nomeados. Essa ausência de quadros sobrecarrega quem está na linha de frente, precariza o atendimento e serve de justificativa para aprofundar a entrega da saúde à iniciativa privada.
O SIMPA denuncia que esse ciclo é planejado: não se realizam concursos, o serviço é sucateado e, depois, a terceirização aparece como “solução”. O resultado é instabilidade, insegurança para trabalhadores e usuários, além do risco permanente de interrupção dos atendimentos.
O SIMPA reafirma seu compromisso com a defesa da saúde pública de qualidade, integral, universal e democrática, e exige:
Saúde não é mercadoria! Defender o SUS é garantir vida digna para todas e todos!
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