Simpa participa de ato sobre os 5 anos do assassinato de Marielle Franco

Ato 5 anos morte Marielle

Cinco anos após a ex-vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes serem brutalmente assassinados, o Brasil segue à espera de justiça e de respostas. Assim como em diversas capitais do país, em Porto Alegre foi realizado um ato público, ao meio-dia desta terça-feira (14/3), na esquina da Rua da Praia com a Ladeira, no centro histórico da capital gaúcha. O Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa) participou da atividade, organizada pelo PSOL, partido de Marielle, que reuniu deputados, vereadores, lideranças de movimentos sociais, estudantes e militantes do PSOL e de partidos de esquerda.

 

O diretor do Simpa João Ezequiel utilizou o microfone para lembrar que em 20 de novembro de 2020, no Dia da Consciência Negra, a sede do Sindicato dos Municipários de Porto Alegre passou a se chamar Marielle Franco. “Fizemos uma homenagem a esta lutadora que foi cruelmente e covardemente assassinada por esta milícia do Bolsonaro. Assassinaram Marielle porque ela defendia o povo pobre das periferias, as mulheres e os jovens negros. Cinco anos se passaram e até agora a Justiça não descobriu quem mandou matar Marielle e Anderson”, afirmou João Ezequeiel, ao lado de um dos fundadores do Simpa, Mário Fernando; e dos também diretores Bete Charão e César Rolim.

 

O ato em protesto aos cinco anos sem respostas sobre o assassinato de Marielle Franco e do seu motorista Anderson Gomes contou com a presença de diversos políticos do PSOL, como os deputados Matheus Gomes e Luciana Genro, os vereadores Roberto Robaina, Karen Santos e Pedro Ruas. Priscila Voigt, representou a Unidade Popular pelo Socialismo (UP).

 

QUEM MANDOU MATAR MARIELLE FRANCO?
Na noite do dia 14 de março de 2018, a vereadora carioca Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes foram mortos a tiros no Estácio, região central do Rio de Janeiro, quando o carro em que estavam foi atingido por diversos disparos.

 

Eleita com 46,5 mil votos, a quinta maior votação para vereadora nas eleições de 2016, Marielle Franco estava no primeiro mandato como parlamentar. Oriunda da favela da Maré, zona norte do Rio, a vereadora tinha 38 anos, era socióloga, com mestrado em administração pública e militava no tema de direitos humanos. Quatro tiros acertaram a vereadora e três, o motorista. Marielle voltava de um evento na Lapa, chamado Jovens Negras Movendo as Estruturas, quando teve o carro emparelhado por outro veículo, de onde partiram os tiros. Uma assessora da parlamentar, que também estava no carro, sobreviveu aos ataques. As câmeras de monitoramento de trânsito existentes na região estavam desligadas.

 

Presos em março de 2019, um ano após o crime, Ronnie Lessa e Élcio Queiroz aguardam júri popular. Os acusados não foram julgados nem mesmo em primeira instância. As investigações sobre o duplo assassinato foram marcadas por uma série de fatos que acabaram comprometendo o processo, como a destruição de provas. Os erros grosseiros em relação à condução da linha das investigações revelou que a milícia tem ligações fortes com o poder. A simbiose entre ambos acaba gerando uma dúvida crucial: a política financia a milícia ou é a milícia quem financia a política? A manipulação dos fatos e o medo do crime organizado coloca em dúvida inclusive se existe um mandante.

 

O caso, no entanto, passou a ser uma questão determinante para o ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, que ordenou a PF a abrir inquérito para apurar todas as circunstâncias em relação ao crime. Recentemente, novos promotores começaram a trabalhar no caso para tentar desvendá-lo. O ex-PM Ronnie Lessa, acusado de ser responsável pelos disparos que mataram a vereadora Marielle e Anderson, foi expulso da PM apenas neste ano, por ter sido condenado por comércio ilegal de armas. Durante o cumprimento de mandado de prisão pelo homicídio da vereadora Marielle, foram encontradas 117 peças para montagem de fuzis, na casa de um amigo de Lessa. Já Élcio Queiroz, outro ex-PM envolvido no caso, permanece preso por dirigir o veículo no qual Lessa disparou contra as vítimas.

 

A demora no julgamento se deve às estratégias da defesa, que apresentou sucessivos recursos para impedir o júri popular. As provas coletadas no caso da vereadora Marielle não apenas afetaram os suspeitos do crime, mas também levaram a operações contra milicianos em Rio das Pedras. O problema é que as investigações revelaram evidências relacionadas ao escândalo das “rachadinhas”, envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Durante a Operação Intocáveis, foram encontradas mensagens de Danielle Mendonça, ex-mulher do ex-PM Adriano da Nóbrega (assassinado na Bahia em circunstâncias comprometedoras e com indícios de queima de arquivo), conversando com Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio, sobre o uso de um “funcionário fantasma” no gabinete.

 

QUEIMA DE ARQUIVO
Durante a investigação da lavagem de dinheiro de Adriano, a viúva de Adriano, Julia Lotufo, foi pega em uma escuta telefônica falando sobre um “funcionário fantasma” no gabinete de Flávio. Essas evidências podem ser usadas para reabrir a investigação contra o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. A influência dos Bolsonaros contribuiu para anulação de grande parte das provas do caso pelo STJ e STF.

 

REFORÇOS NA INVESTIGAÇÃO
As investigações sobre os assassinatos de Marielle e de Anderson continuam e com o reforço de sete novos membros da força-tarefa e com a colaboração da Polícia Federal. O bicheiro Rogério Andrade também se tornou um novo suspeito devido à sua ligação com o coordenador da força-tarefa, Ronnie Lessa.

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