
O Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa) sediou, na noite dessa quinta (25/03), a atividade “Mulheres em Porto Alegre: entre exclusões e resistências”, com foco no protagonismo de mulheres indígenas e negras na luta por direitos, território, cultura e existência. O encontro foi promovido pelo coletivo POA Ancestral, com apoio do Observatório Indigenista e do Simpa.
A atividade reuniu importantes lideranças e referências que, a partir de suas vivências, trouxeram reflexões profundas sobre as desigualdades estruturais e as formas de resistência construídas nos territórios. Participaram do encontro a Cacica Iracema Gãh Téh, liderança Kaingang com forte atuação em defesa dos povos originários no Rio Grande do Sul; a Cacica Jaxuka Rete, liderança Guarani engajada nas retomadas e na construção do bem viver; e Lilian Rocha, escritora, poeta e articuladora da cultura negra na capital. A mediação do debate foi realizada pela diretora-geral do Simpa, Estela Benevenutto, e pela municipária aposentada Roselaine Colombo, criadora e coordenadora do POA ancestral.
As falas destacaram como mulheres indígenas e negras estão na linha de frente das lutas sociais, enfrentando múltiplas violências, mas também construindo alternativas coletivas baseadas na ancestralidade, na organização e na resistência. O encontro foi um espaço potente de escuta, troca e fortalecimento dessas trajetórias.
O coletivo POA Ancestral, responsável pela promoção da atividade, surge em 2021 a partir da necessidade de um grupo de professores da Rede Municipal de Educação de Porto Alegre em pensar, discutir e apresentar um outro olhar sobre a cidade. Uma Porto Alegre negra, indígena e periférica, marcada por histórias e memórias que ultrapassam a narrativa eurocêntrica e branca da capital.
O Simpa reafirma seu compromisso com a valorização das lutas dos povos originários e da população negra, reconhecendo o papel central das mulheres na construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
A atividade contou ainda com certificação emitida pela UFRGS, fortalecendo o caráter formativo do encontro e a articulação entre movimentos sociais, coletivos e instituições.
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