
O Simpa está acompanhando de perto a grave situação envolvendo a morte de uma trabalhadora terceirizada da saúde após procedimentos de dedetização realizados na U.S Santíssima Trindade. Segundo a Diretora-Geral do Simpa, Marília Iglesias, o caso não pode ser tratado como fatalidade, mas sim como resultado de uma sequência de falhas e negligências por parte do Grupo Hospitalar Conceição (GHC) e da Prefeitura de Porto Alegre.
Na manhã desta quarta-feira (25/3), moradores da região, usuários da unidade e representantes de associações participaram de um protesto em frente à Santíssima Trindade, denunciando a falta de segurança para a reabertura do posto após a exposição a produto químico. O ato foi promovido pela ASERGHC, em conjunto com servidoras e servidores da unidade, moradores da região e o Simpa.
A diretora do Simpa acompanhou o ato e ressaltou que há indícios de que Agentes de Saúde vêm sendo expostos a riscos durante atividades de limpeza nas unidades, especialmente após processos de dedetização, nos quais não há identificação adequada dos produtos utilizados.
Em entrevista a veículos de imprensa, o Simpa apontou responsabilidade tanto da Prefeitura quanto do GHC, em função da ausência de protocolos adequados, falta de transparência sobre os produtos utilizados, ausência de orientações de socorro em casos de intoxicação, falta de EPIs adequados e a não adoção de medidas preventivas para proteger os trabalhadores.
GHC E PREFEITURA SÃO COBRADOS
Na reunião do Conselho Distrital de Saúde da Região Norte, realizada na terça-feira (24/3), foi debatido o óbito da trabalhadora terceirizada. O GHC não enviou nenhum representante à reunião. Estiveram presentes representantes dos Conselhos Locais de Saúde, do CMS e, representando a gestão municipal, a coordenadora da Coordenadoria de Saúde Norte, o gerente de operações e a responsável técnica de enfermagem da Santa Casa.
Nesta reunião, a conselheira de saúde e diretora jurídica do Simpa, Mariana Perachi, questionou os protocolos após a aplicação de produtos químicos e de higienização das unidades, destacando os riscos aos trabalhadores.
A Coordenadoria de Saúde Norte informou que as investigações ainda estão em andamento e que os procedimentos seguem normas da Vigilância Sanitária. Diante disso, foi encaminhado o pedido de revisão dos fluxos atuais, com o objetivo de ampliar a proteção das e dos trabalhadores nas unidades de saúde.
POSICIONAMENTO DO SIMPA
Para o Simpa, é urgente revisar e regulamentar os fluxos de limpeza após processos de dedetização.
Para o Sindicato, a tragédia expõe o resultado direto da precarização dos serviços públicos e das condições de trabalho impostas à categoria. Cabe à Prefeitura de Porto Alegre e ao GHC explicar, com urgência, as razões que levaram a esse óbito.
A morte da trabalhadora terceirizada evidencia um cenário de descaso com a vida de quem atua na linha de frente do atendimento à população. O Simpa cobra apuração rigorosa dos fatos, responsabilização dos envolvidos e a adoção imediata de medidas que garantam condições seguras de trabalho nas unidades de saúde.
O Sindicato seguirá acompanhando o caso e prestando apoio aos trabalhadores e trabalhadoras afetados, além de se solidarizar com os familiares da vítima.
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