Dia da Consciência Negra fortalece luta contra a intolerância e a violência

Neste ano, o 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, ganha contornos ainda mais fortes. Afinal, no mesmo momento em que, no Brasil, completam-se 130 anos da abolição formal da escravidão, o país enfrenta uma forte onda de extrema-direita, que põe em risco conquistas do nosso povo e faz avançar o preconceito e a discriminação em todas as suas formas. O racismo é uma delas.  Ao mesmo tempo, cresce o desemprego e a violência que, historicamente, atingem com mais força as populações negras e pardas, bem como ganha cada vez mais espaço propostas e políticas que resultam na retirada de diversos direitos.

 

 

 

Dura realidade

O racismo ainda é uma ferida aberta no Brasil. Pesquisa feita pela rede Nossa São Paulo e o Ibope Inteligente mostrou que na capital paulista, por exemplo, 60% dos entrevistados disseram perceber diferença no tratamento entre brancos e negros em locais como shoppings, trabalho e escola/faculdade.

No que diz respeito à violência, conforme dados do Atlas da Violência, a cada 100 pessoas assassinadas no Brasil, 71 são negras, população que tem 23,5% mais chances de ser morta. Ao mesmo tempo, mais de 60% dos presos no Brasil são negros.

No universo feminino, as negras também são as maiores vítimas: entre 2003 e 2013, o número de negras assassinadas cresceu 54%, enquanto entre as brancas, caiu 10%. E, de acordo com informações de 2015 da Central de Atendimento à Mulher, 58% das vítimas de violência doméstica são negras.

Quanto aos aspectos econômicos, de acordo com o IBGE, os negros e pardos hoje representam, respectivamente, 14,6% e 13,8% da população desocupada (pessoas que não tinham trabalho e estavam procurando), enquanto a média geral da população é de 11,9%.

Nos últimos anos, cortes em programas sociais e em políticas afirmativas também contribuem para piorar a discriminação e a retirada de direitos da população negra. É o caso, por exemplo, do Programa Brasil Quilombola, por meio do qual as terras de quilombos são identificadas e demarcadas para a garantia de direitos dessas comunidades tradicionais. O programa sofreu  um corte drástico em seu orçamento, que caiu de 6,2 milhões de reais em 2010 para 1,4 milhão de reais em 2018. “Como resultado, apenas um quilombo recebeu a titularidade da terra em 2016, comparado a oito em 2014, de acordo com o Incra”, aponta Anna Sophie Gross em matéria publicada pela revista CartaCapital.

 

Marcha Zumbi e Dandara

Para resistir ao avanço desta onda e defender os direitos da população negra, manifestações estão programadas em diversas cidades brasileiras. Em Porto Alegre, a Marcha Zumbi Dandara tem concentração marcada para às 17h do dia 20/11 no Largo Glênio Peres. Neste ano, a marcha homenageia a vereadora Marielle Franco, assassinada em março, e Mestre Moa, morto em outubro. Os crimes que ceifaram suas vidas simbolizam a intolerância política e discriminação aberta dos tempos atuais.

“O Simpa participará da Marcha, como em anos anteriores, levando o apoio da categoria municipária a esta que é uma luta de todas e todos nós. Não podemos permitir a escalada do racismo, da violência e da discriminação. Somente a união do povo, dos trabalhadores e trabalhadoras, pode mudar essa história”, diz Luciane Pereira, diretora-geral do Simpa.

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