
A sexta-feira, 10 de julho, foi marcada por uma paralisação contundente das/os municipárias/os de Porto Alegre. A mobilização começou pela manhã, em frente à SMAP, reunindo centenas de profissionais da saúde, educação, DMAE, assistência social, EPTC e demais secretarias, além de aposentadas/os.
Após a concentração, a categoria marchou pela Avenida Mauá em direção ao Centro Administrativo Municipal (CAM) para a reunião agendada sobre a data-base. O recado para o prefeito Sebastião Melo foi nítido: a categoria não aceitará descaso.
O jogo de empurra de Melo
Em uma manobra evasiva, Melo se recusou a receber a diretoria do SIMPA, usando a desculpa esfarrapada de que a sala era “pequena” e faltavam cadeiras para as/os 15 diretoras/es presentes. Enquanto a segurança do prédio impedia a entrada do sindicato, o prefeito aproveitou para sair do local e publicar uma inverdade em suas redes sociais: afirmou que o SIMPA havia chegado com 40 minutos de atraso e que ele não poderia aguardar por possuir outros compromissos. O prefeito ainda posou de “aberto ao diálogo” — uma falácia desmentida pela realidade da mesa de negociação.
Apesar da postura do prefeito, a categoria permaneceu firme, mantendo o ato em frente ao CAM até que representantes do governo aceitassem dialogar com a direção do SIMPA.
A proposta indecente
Na reunião, o governo de Melo manteve o desrespeito: ofereceu reajuste zero para a data-base atual.
Quanto à pendência de 2023/24, a proposta foi uma humilhante primeira parcela de 1,54% apenas para dezembro e 4,26% no v.a. (1 cacetinho por dia), junto ao abono até o final de 2026 pra trabalhadores/as (ativoas/os) da SMED. Para trabalhadoras/es 2A ao 5A uma parcela autônoma, equiparando o básico ao mínimo.
Frente à defasagem salarial de 34,16%, a oferta é um escárnio. Uma nova rodada de negociação, desta vez com a presença de Melo, foi agendada para o próximo dia 17/7.
Protesto na SMED
Após o encontro, a marcha seguiu até a Secretaria Municipal de Educação (SMED). Lá, as/os trabalhadoras/es realizaram um ato de desagravo contra o secretário Pascoal, entregando um penico como símbolo de sua gestão marcada pelo assédio, autoritarismo e pelo desmonte da Gestão Democrática e da qualidade da educação pública municipal.
Próximos passos
Em Assembleia Geral realizada no Colégio Julinho, a categoria deliberou:
1. Assembleia Geral (online): Segunda-feira, 13/7, às 18h30 (segunda chamada), para definir os detalhes do próximo período de greve.
2. Nova mobilização: Indicativo de greve aprovado para sexta-feira, 17/7, dia da reunião com o prefeito.
3. Aprofundar a campanha de denuncia do governo Melo.
4. Dialogar com as comunidades sobre os ataques do governo à cidade.
5. Buscar construir a luta em unidade com outras categorias.
O dia 10 provou que, quando unidas/os, as/os municipárias/os têm força para encarar o governo.
Dados do DIEESE comprovam que a prefeitura possui saúde financeira para repor as perdas salariais; o que falta é vontade política.
A luta continua: Melo, negocia já!
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